sábado, 11 de julho de 2009

Bullshit

Essa semana está rolando em Pamplona a tradição mais idiota da Espanha: a festa de San Fermín. San Fermín é um pobre santo que teve a infelicidade de nascer em Pamplona e que nada tinha a ver com touros, muito menos com homens correndo de uma manada de touros enlouquecidos. De uns anos pra cá, Pamplona tem usado o santo nome em vão, literalmente, para justificar essa festa assassina, cujo único objetivo é chamar atenção para essa cidade, que não tem nada mais interessante para atrair turistas do que essa idiotice que eles chamam de los encierros de toros.

Lo siento, pero estoy muy enfadada! Eu vou explicar. Los encierros de toros são o seguinte: um bando de gente (gente idiota, claro) do mundo inteiro vai a Pamplona uma vez por ano disposto a correr na frente de oito toros. As 07:55, 07:57 e 07:59 da manhã exatamente, os participantes rezam para o coitado do San Fermín pedindo proteção e as 8 em ponto, os touros são liberados, a correria começa e acaba depois de 800 metros. O problema, ou melhor, os problemas são vários. Primeiro que essa mania espanhola de judiar de touro já passou de todos os limites. Segundo que vire e mexe, vários saem feridos e/ou morto, como foi o caso desse ano. Mas o maior problema de todos é que eles ainda acham isso maneiro. Se você entrar no site oficial da festa, você pode ver o vídeo com repetição do momento que o touro enfiou o chifre no pescoço do maluco, como se isso fosse motivo de orgulho pra família do cara ou para qualquer pessoa que o valha. Eu teria vergonha de estar no enterro desse homem, sinceramente.

Mas aparentemente muitos turistas acham a festa um máximo e Pamplona morre de orgulho por estar na mídia internacional por uma semana pelo menos uma vez por ano. Pois eu já decidi meu protesto. Pamplona não verá meus euros jamais. E tenho dito.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

We're half way there

Eu sei, eu sei, abandonei os meus queridos leitores. Desculpe-me por todos os dias que vocês entraram no blog, ansiosos por um novo post e eu os decepcionei. O último mês foi uma correria. Coisas do destino. Sabe quando você tem um final de semana sem nada pra fazer e no outro você tem três festas no mesmo dia? Foi mais ou menos o que aconteceu. Amigos brasileiros brotando no solo europeu dias depois da minha ultima semana de provas e de busca de emprego. Mas agora eu estou aqui na minha casinha catalã, sozinha, sem amigos brasileiros, sem amigos da escola e sem a roomie, que a essas alturas já deve estar no meio do Atlântico a caminho do Brasil. Vou tentar resumir o último mês em pequenos posts no decorrer da semana. Se a ansiedade for muito grande, vocês podem ir matando a curiosidade vendo as fotos da viagem da França e da Croácia clicando aqui.


O primeiro ano do MBA chegou ao fim e eu sou oficialmente uma aluna do segundo ano. O meu desempenho acadêmico nesse terceiro term não foi tão bom quanto no segundo, mas também não foi tão mal quanto no primeiro, o que significa que eu fiquei fora do Academic Evaluation. Ufa! Fiquei nos limites dos Cs, mas estou muito feliz. Fiquei sabendo que alguns colegas, que tiveram que fazer o Academic Evaluation, foram convidados a se retirar do programa e outros só poderão voltar no ano que vem para continuar o MBA. Então eu fico muito muito satisfeita e realizada por não ter precisado passar por essa avaliação.


Não estou totalmente realizada e satisfeita, porque eu não consegui um estágio. Na verdade eu consegui um, mas da mesma forma inesperada que ele veio, ele foi. A IESE organizou um evento chamado Capstone, que é uma competição entre os grupos de todas as turmas. A IESE convida uma empresa, que no meu caso foi o site emagister.com, e pede pra ela apresentar um problema real da empresa para que os grupos resolvam. Os grupos ficam confinados nas suas salas de reunião durante três dias criando o plano estratégico. Depois de uma pré-seleção feita pelos próprios alunos, os melhores grupos apresentam suas propostas pro presidente da empresa e ele elege o grupo vencedor. O meu grupo foi o vencedor entre todos os outros grupos. Ganhamos um troféu e um emprego. Visitei a empresa, conversei com os gerentes sobre os projetos que eu poderia participar e ficou meio que definido que eu trabalharia na entrada do site no Brasil. Um mês depois um email dizendo que o projeto Brasil foi cancelado por enquanto, mas que eles pretendem retomá-lo ano que vem e eu ‘sem dúvida’ estarei envolvida. Fooon fon fon fooooon


O bom é que por eu não ter arrumado emprego, terei quatro meses de férias, poderei enfim tirar vantagem do fato de que eu moro na Europa e agora vou ter tempo de viajar bastante. Até porque provavelmente essa será a minha única chance na vida de poder viajar por tanto tempo. Então é isso, plano já está em ação! Próximo post, eu conto da primeira viagem: Cote D’Azur e Provence!


O melhor time da IESE, the B9, recebendo o troféu Capstone 2009. No meio da foto está o presidente da empresa Emagister.com


domingo, 7 de junho de 2009

MBAT 2009

Notícia velha, mas está valendo pelo registro. Em maio rolou na França o MBAT (MBA Tournament) que é que uma olimpíada entre todas as Business Schools da Europa. Lógico que eu só fui pra zoar e pra conhecer Paris, porque como todos sabem esporte não é o meu forte. A Bia que é atleta profissional do Cabo de Guerra representou a ESADE muito bem. Eu estava só de cheerleader mesmo. Para quem ainda não viu as minhas fotos na França, clique aqui.

sábado, 30 de maio de 2009

¡Visca el Barça, Visca Catalunya!


Eu nunca fui fã de futebol. Ficar assistindo durante 90 minutos um bando de homem correndo atrás de uma bola de um lado pro outro nunca me trouxe grandes emoções, exceto na Copa. Mas eu sempre soube que morando com a Bia a dois quarteirões do Camp Nou (estádio do Barcelona), isso mudaria de alguma forma, mas eu não sabia que mudaria tanto. Quarta eu me vi pulando, gritando e abraçando pessoas no meio de uma multidão na Las Ramblas comemorando a vitória do Barcelona, que esse ano conseguiu um feito inédito: ganhou as duas copas nacionais e a copa européia, o famoso tripé (famoso pro torcedor normal, claro. Eu fiquei sabendo disso tudo semana passada). Foi comovente ver uma cidade inteira torcendo para o mesmo time e é bonito ver esse time jogando. Passes rápidos e perfeitos, ataque agressivo mesmo quando já estão ganhando, raça e disposição até o ultimo segundo do jogo que resultam em reviravoltas bem do gênero “agueeeeenta coração” do Galvão. Me lembro o primeiro jogo que eu fui assistir no estádio: Barcelona x Boca Juniors. Jogo chato, nada acontecia, 90 minutos de bolinha pra um lado, bolinha para o outro. O juiz dá 5 minutos de prorrogação. Eu já estava pensando “ai graças a Deus esse terror vai acabar”, quando o Boca Juniors me faz um gol. Malucoooo eu me lembro que eu me levantei e não conseguia mais sentar. O Barcelona mandava uma atrás da outra no gol do Boca Juniors, até que uma entrou. Empatou. E eles continuaram tentando. A bola não saia do lado deles, uma tentativa atrás da outra, até que faltando menos de 1 segundo pro fim do jogo, Barcelona marca o segundo gol. 2x1 Barcelona, tudo nos últimos 5 minutos. No dia seguinte comprei a minha camisa. E foi assim que eu fui totalmente conquistada por Messi, Eto’o, Xavi, Iniesta, Dani Alves, Henry,... e claro, não posso deixar de esquecer o treinador mais lindo do mundo, Pepe Guardiola. Ele é uma motivação a mais. ;)

Como o jogo foi em Roma, no dia seguinte o time circulou pela cidade em um ônibus. Nós tivemos a sorte de assistir eles passando da varanda da nossa casa. Veja as fotos aqui.

domingo, 24 de maio de 2009

Unperfect Timing


segunda-feira, 18 de maio de 2009

I like big butts I cannot lie!

Para entender o quão surreal foi o meu dia hoje, eu preciso que vocês imaginem a situação que eu vou descrever agora. Vamos fingir que vocês lêem o jornal Financial Times todos os dias. E como vocês o lêem todos os dias vocês sabem que ele é da cor rosa. Vamos fingir também que se vocês vissem uma foto da IEXE vocês seriam capazes de reconhecê-la. Muito bem, esse é o contexto. Agora imaginemos: são 8h da manhã, você está lendo o jornal quando se depara com a foto abaixo. Você reconhece a IEXE imediatamente e se interessa pela matéria, porque afinal de contas a sua amiga Marcelle estuda lá. E mesmo que a matéria não tenha prendido muito a sua atenção, você olha bem para a foto. Pois bem, olhe bem para a foto. Há algo que chame a sua atenção? Algo familiar nela? Nada, não é mesmo? Eu mesma se estivesse lendo o jornal hoje de manhã (porque eu não leio o Financial Times todos os dias) eu não teria reparado nada de especial. Mas os meus queridos amigos de sala encontraram.



Chego hoje na IEXE e conforme vou andando para a sala começo ouvir os comentários pelos corredores “agora você é famosa, hein?”. Cara de interrogação. Entro na sala e o enigma é revelado: “Marcelle, your butt is on the FT!” (Sua bunda está no Financial Times!). “What?????” E realmente está. Sou eu ali atrás. Mas a pergunta que não quer calar é: como é possível que eles tenham me reconhecido? Definitivamente eu tenho a bunda mais famosa da escola.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Legaliseerde

Todas as vezes que eu viajo, eu curto dar uma de turistona mesmo. Fazer tour no ônibus “hop on, hop off”, ler a historia de cada monumento, tirar todas as fotos super clichês, comprar suvenires etc. Amsterdam foi diferente. Primeiro porque a cidade não estava em seu estado normal, por causa da festa da Rainha. Segundo porque eu estava com um grupo de 50 pessoas, que estava mais interessado nas atrações turísticas ilegais em outros países do que em museus. E terceiro porque nós estávamos sendo guiados por locais e locais não estão interessados nos ponto turísticos que eles já foram milhões de vezes.

Chegamos na quarta a noite e fomos direto para o apartamento de um amigo, onde eu fiquei hospedada (de graça, devo dizer). É o MBA se pagando através de hospedagem pelo mundo, porque com emprego ta foda. O apartamento era ótimo apesar de fora de Amsterdam. A gente levava 30 min de trem pra ir e sair do centro de Amsterdam, mas foi bom para conhecer as redondezas da cidade.

Quinta foi o Queen's Day. Foi engraçado ter a primeira impressão da cidade em um dia tão louco. Realmente é como se fosse o Carnaval do Rio tirando as brigas e o empurra-empurra, mas com a mesma gente bêbada perdendo a linha nos ‘blocos de rua’ que estavam rolando ao mesmo tempo e durante todo o dia pela cidade. Como eu não sou fã de música eletrônica, a musica foi um problema para mim. Em certo momento eu escuto algo diferente do bate estaca que eu estava ouvindo por mais de 6 horas e imediatamente meus ouvidos treinados identificam o Axé Music! Vou seguindo o som e encontro o bar brasileiro chamado "Olele". Comi coxinha e bebi guaraná Antártica! Às 8 da noite a festa acabou, desligaram o som, todo mundo parou de dançar e da forma mais bêbada e civilizada que eu já vi na minha vida, todo mundo se direcionou a sua casa. Não sei se o tal atentado a Rainha contribuiu pro evento acabar tão cedo. Alguns disseram que sim, mas de qualquer forma eu achei super estranho o dia ainda claro e as pessoas indo pra casa em silencio como se não tivessem pulado e dançado e bebido e otras cocitas más por 8 horas. Mas enfim, europeu é um bicho diferente.

Sexta fomos na fabrica da Heineken. Eu parecia uma criança brincando de fazer cerveja. Foi tão divertido! No final ganhei uma garrafa com o meu nome e pude provar a cerveja que eu ajudei a produzir. Depois da fabrica o grupo de 50 alunos da IEXE se encontrou pela primeira para fazer o tour pelos canais de Amsterdam de barco. Foi maravilhoso ver a cidade por essa perspectiva. O tour durou 6 horas e passamos por todos os canais dentro da cidade e depois fomos para o mar. Basicamente em Amsterdam você não anda mais que 3 quarteirões sem que haja um canal cortando. A cidade fica abaixo do nível do mar, e pra não ser inundada existe um esquema de eclusas e barreiras que regulam a quantidade de água que entra na cidade! A água dos canais também é “trocada” constantemente (é bombeada para o mar) e, portanto não tem cheiro ruim e é bastante limpa. Os holandeses transformaram a maior ameaça a existência da cidade na maior oportunidade de negócios, já que os engenheiros de lá são os mais requisitados do mundo quando o assunto eclusas, dutos, inundação etc.

No dia seguinte fizemos um tour de bicicleta. Todo mundo anda de bicicleta em Amsterdam, do rico ao pobre, do novo ao velho. Você vê senhores de terno e gravata, executivas, vê de tudo! Como a cidade não tem montanha e desnível, a bicicleta realmente é uma ótima alternativa. Claro que eles têm ciclovias e uma infra-estrutura que facilita muito (diferente de Barcelona). Durante o tour eu tinha certeza que aquilo não ia acabar bem. Primeiro porque a minha bicicleta era gigante pra mim. Eu fui pedir uma bicicleta de menina pro moço que estava alugando as bicicletas e ele me respondeu “Mas essa bicicleta é pra meninas. Pra meninas holandesas né?” há há há Obrigada por me lembrar que eu sou uma anã perto delas. Segundo porque a minha bicicleta não tinha freio no guidão. Pra frear eu tinha que girar os pedais ao contrário. Coisa que eu nunca tinha visto na minha vida. E terceiro porque nós éramos 30 bicicletas andando em fila. Ou seja, a receita perfeita para o estabaco da história. Mas milagrosamente eu saí ilesa dessa aventura!

Por falar em aventura nossa ultima noite foi um tanto quanto bizarra! Fomos ao primeiro coffee shop de Amsterdam chamado Bulldog. Hoje essa marca já é uma cadeia enorme de cofee shops e acho que tem mais Bulldogs em Amsterdam do que Starbucks em Nova York. Mas nessa noite nós estávamos no primeiro Bulldog aberto, que claro não deixa de ser um ponto turístico da cidade. Depois de quase uma hora, Space cake pra cá, White wisdom pra lá, um amigo começa a passar mal, virar os olhos e se tremer como se estivesse tento um ataque epilético. Lógico que demorou algum tempo pra gente entender o que estava acontecendo. Eu no inicio achei que ele tava entrando numa onda alucinante, sei lá. Mas quando a gente entendeu que a coisa era séria foi uma gritaria. O segurança do lugar teve que carregar ele pra rua, porque a gente ficou super assustados e estávamos assustando todo mundo também. Mas o menino não conseguia ficar em pé mas com os olhos abertos. O segurança ajudou a gente com os procedimentos necessários, porque eu já queria levar ele pro hospital. O segurança/enfermeiro disse que isso era muito normal principalmente quando a pessoa não estava acostumada com maconha. Demorou 45 minutos pra ele voltar ao normal. Foi horrível. Fora o mico! Os turistas japas tirando 5 fotos por segundos achando que aquilo era um show de demonstração dos efeitos da droga. Olha eu sei que depois que ele se recuperou começou aquele empurra empurra de “quem vai ficar com ele essa noite porque ele pode precisar de ajuda”. Ninguém queria a responsabilidade e o problema, claro que sobrou pra mim. Eu passei a noite toda acordada pensando em todas as vezes que eu fiquei bêbada e precisei de ajuda. Lembrei do quanto é importante fazer essas loucuras quando você está perto de amigos. Nada pior do que precisar de alguém de verdade e não ter ninguém genuinamente a fim de fazer qualquer coisa pra te ver bem. Me deu muita saudades dos meus amigos. Graças a Deus eu tenho amigos que se despencam da Ilha, Tijuca, Centro e Niterói (tudo em uma noite) pra me levar na Barra sã e salva. :)

Em resumo Amsterdam é linda! Fiquei completamente apaixonada! As pessoas são super simpáticas, bonitas e estresse parece não existir no vocabulário deles. Fora que as flores, os canais e as bicicletas criam um cenário tão charmoso que não dá vontade de ir embora. Moraria fácil lá. Para ver as fotos clique aqui.