sexta-feira, 3 de abril de 2009

March Events

Terceiro term chegou e a vontade de estudar está cada vez menor. Não só porque o tempo está melhorando aqui em Barcelona, mas porque está todo mundo super cansado e desmotivado. Com a crise, poucas empresas vieram recrutar alunos na IEXE* e as que vieram contrataram dois ou três alunos. Ano passado nessa época do ano mais de 80% dos alunos já tinham um internship, hoje nem 30% tem. Eu continuo tentando, fazendo entrevistas, cheguei bem perto de conseguir alguma coisa no Google, mas até agora nada. Estou cada vez mais certa que meus três meses de 'internship’ (junho-setembro) serão de férias mesmo. O que não me deixa nem um pouco feliz pra falar a verdade.

Bom, mas passada a notícia triste, agora as boas notícias. Março foi um mês super intenso e cheio de eventos. No primeiro final de semana fui para Tarragona, na casa de praia de um amigo espanhol, conhecer a famosa Calçotada, uma das tradições aqui da Catalunha. O Calçot é um bulbo como a cebola, que costuma dar nessa época do ano. Parece uma cebolinha que cresceu até o tamanho do alho-poró. Depois de colhido o calçot vai para uma grelha baixa de carvão em brasa e é deixado lá até que a parte de fora fique totalmente queimada. O calçot em si não é nada de maravilhoso, mas a Calçotada é um evento muito legal. O amigo espanhol fez questão de preservar a autenticidade do evento, ou seja, mesa comprida ao ar livre, sem cadeiras, sem talheres. Para comer o tal calçots é preciso tirar com as mãos a camada negra de pele queimada até aparecer o interior branquinho. Depois é só molhar no molho e colocar na boca. Mas aí é que está a parte divertida. Pra conseguir comer você tem que virar muito a cabeça pra trás porque o calçots é comprido e aí começa a babação de molho na cara, na roupa, uma sujeirada só. E eu, muito inteligente, com a minha roupinha branca. Mas foi uma delícia: Amigos de pé ao redor de uma mesa pegando comida do mesmo lugar e bebendo vinho de uma garrafa que passa pelas mãos sujas de todos. Enquanto isso, os americanos no canto, tendo um treco. Os caras não dividem comida. Eles têm nojinho. (Para ver mais fotos, clique aqui)

O segundo evento foi a despedida de solteira de uma ‘amiga’ americana. Ela conheceu o noivo meses antes de vir pra IEXE e o rapaz completamente apaixonado decidiu se inscrever no MBA também para ficar perto dela. Pois bem os dois vieram e vão se casar agora na Páscoa. Eu não sou lá muito amiga dela não, mas no atual contexto talvez eu seja a segunda melhor amiga dela de Barcelona. A primeira melhor amiga ficou encarregada da organização e me pediu para ajudá-la porque ela tinha ouvido falar que as melhores festas de despedida de solteira são no Brasil. Para os gringos, falou em festa, falou em Brasil. Pois bem, aceitei o desafio, entrei em contato com a minha querida amiga Beta, especialista em casórios e afins, e pedi algumas dicas. Depois de dar uma boa filtrada no nível das brincadeiras (lógico porque a menina nem é tão amiga e é americana, então poucas coisas puderam passar), mandamos as opções para o noivo, que cortou metade porque achou “too much”. Achei isso muito engraçado. Mas enfim, ficamos com uma única brincadeira: tiramos fotos de várias partes de corpos de meninos da IEXE e misturamos com as fotos das partes do corpo do noivo e caso a noiva errasse, ela bebia. Simples (e sem graça) assim. A mulherada toda se reuniu no bar e começamos a brincadeira. Primeira foto foi da orelha e impressionantemente ela acertou. Segunda do pé, errou. Depois da mão, errou. E a partir daí ela só errava. O clima começou a ficar super chato e quando eu me dei conta a noiva entrou numa crise nervosa e começou a chorar. Bom, depois daí vocês podem imaginar a merda de noite que a gente teve. Nessas horas me dá uma saudade louca do meu país.

O terceiro evento foi o Reverse Random Dinner. O Random Dinner aconteceu ano passado nos primeiros meses de aula. Os alunos do segundo ano oferecem um jantar na casa deles e os alunos do primeiro ano são randomicamente divididos entre as casas. Um dia você recebe um convite pra jantar na casa do fulano e com você vai mais uns 5 alunos do primeiro ano que você não faz idéia de quem seja. Mas foi super divertido porque foi uma boa oportunidade de conhecer mais gente e comer comida caseira e gostosa. Pois bem, como o segundo ano está se formando agora, nós decidimos fazer um Reverse Random Dinner para eles. Ofereci a minha casa, me juntei com dois super amigos de sala e cozinhamos para três random alunos do segundo ano. Por coincidência um deles era brasileiro. O tema do jantar foi tropical. Cozinhei Bobo de Camarão e de sobremesa tivemos fondue de chocolate com frutas. Para beber caipirinhas. Estávamos todos ‘fantasiados’ de havaianos e ‘dançamos’ ao som de Revelação a noite toda. Um dos alunos do segundo ano é Jamaicano e assim que eu abri a porta pra ele, ele disse “ahhh então você é a dançarina de samba da IEXE”. Não sabia onde enfiar a minha cara de vergonha, porque desde a minha ‘performance’ no palco do Multi Culti eu me escondo das pessoas toda a vez que se comenta sobre samba. Mas o jamaicano não sossegou até que eu o ensinasse a dançar, porque aparentemente o que eu faço "com os pés é incrível". Enfim, o vídeo está aí pra vocês entenderem:

O quarto e grande evento foi o Spring Fling que eu conto no próximo post.

* Eu agora mudo o nome da escola porque muitas pessoas estavam buscando informação no Google e acabavam no meu blog. Tenho medo de ser expulsa caso a escola descubra o que eu ando falando deles na internet. Às vezes eu me esqueço a dimensão que um blog tem.

domingo, 15 de março de 2009

2 down, 4 to go

O segundo term acabou e graças a Deus dessa vez consegui ficar do lado certo da curva. Nada de C para mim dessa vez! Não sei se eu fiquei mais inteligente, se eu parei de me importar tanto, se meus amiguinhos de sala pararam de estudar, se as matérias desse term eram mais interessantes pra mim ou uma junção de todos esses fatores, mas o meu desempenho foi muito melhor e eu estou muito orgulhosa de mim. Vale a pena se esforçar e correr atrás. Outra coisa boa foi que eu me formei no espanhol: hablo muy bien ahora! E sem o curso de espanhol eu ganhei praticamente 2 horas no meu dia pra fazer o que eu quiser. Um delicia.

Pensando no que eu faria nessas 2 horas extras que eu tenho agora, eu resolvi comprar um par de patins. A primavera finalmente chegou aqui em Barcelona e nos finais de semana o tempo tem estado tão bom que me dá vontade de sair e patinar pelas ruas de Barcelona. E assim eu fiz sábado passado. Coloquei toda a parafernalha de segurança: joelheira, cotoveleira, etc e comecei a minha aventura. Eu estava um pouco insegurança, porque faziam mais de 10 anos que eu não patinava, mas aos poucos eu fui indo, as lembranças da adolescência foram voltando e eu fui ficando mais confiante. Mas aí uma ladeira chegou. E no meio da ladeira eu me lembrei que eu nunca soube como frear com o patins. A velocidade foi aumentando e o meu desespero também. Comecei a fazer os cálculos... Qual é o melhor lugar para tentar fazer um 360 graus? Onde é o melhor lugar para eu cair? ...e o cruzamento chegando... Como calcula o perímetro do círculo mesmo? 2piR? Qual é a melhor maneira para eu cair? ...e a velhinha atravessando a ciclovia... Conseguirá nossa heroína sobreviver a mais esse desafio?? Bom, sobreviver eu sobrevivi, mas o estabaco foi inevitável. Ipod para um lado, óculos para o outro, a chave só Deus sabe para onde, um mico só. Depois dessa experiência eu decidi ir pra casa porque eu já tinha me arriscado o suficiente para um dia. E como com os acidentes de carro a maioria das ‘batidas’ acontece perto de casa, o mesmo pode ser dito com as quedas de patins. Entrei em casa, patinei na direção do sofá e sem mais nem menos, sozinha, sem nenhuma ladeira, velhinha ou whatever, eu cai, de novo, e cai feio. Com direito a hospital, raio-x, tipóia por uma semana. Um vexame. A Bia já escondeu os meus patins. Ela não quer ter que me levar pro hospital todo final de semana.

Páscoa está chegando e com ela 10 dias de férias para a gente! Bia e eu vamos fazer um cruzeiro pelo mediterrâneo. A nossa rota está na imagem abaixo. O cruzeiro tem três grandes vantagens: a primeira é que a gente dorme em um país e acaba em outro, o que nos poupa tempo e energia. A segunda é que tudo está incluído, inclusive bebidas! Ou seja, mesmo que só tenham velhos no cruzeiro, nós estaremos entre velhos sim, pero borrachas! E a terceira é que nós teremos 12 horas em cada porto o que nos dá tempo para ir em nas cidades nas redondezas. Vai ser muito divertido!


Por falar em divertido, semana passada rolou o IESE MultiCulti. O MultiCulti é um evento muito legal, onde cada país tem um estande e os alunos de cada nacionalidade se reúnem para trazer o melhor da comida e bebida do seu país. Os países que quiserem podem fazer uma apresentação no palco também, mas isso é opcional. Eu me envolvi na organização, assim como todos os brasileiros do primeiro ano. Fizemos uma vaquinha entre nós e começamos o planejamento: decoração do estande, brindes, comida, bebida e apresentação. Queríamos fazer tudo! Mas infelizmente o pouco tempo e dinheiro nos limitou um pouco, mas conseguimos fazer bonito no evento e representar bem o nosso Brasil. Contratamos uma escola de samba que tem aqui em Barcelona e os gringos ficaram malucos com a batucada. Na verdade nós brasileiros éramos os mais felizes. Depois de termos perdido o carnaval, ouvir as marchinhas e os samba enredos vindo de uma autentica bateria foi indescritível. A comida podíamos ter nos dedicado um pouco mais, principalmente depois que eu vi o estande mexicano que contratou um restaurante pra levar comida pro evento. Nós só tínhamos coxinha, empadinha e salgadinhos em geral. Ano que vem prometi um caldinho de feijão e quem sabe umas baianas fazendo acarajé. Mas na bebida fizemos bonito! Conseguimos o patrocínio da Ypioca e tínhamos uma operação intensa rolando pra produzir a verdadeira autentica caipirinha. Não tenho nem noção de quantos limões foram cortados. Uma loucura! Pros brindes tentamos de todas as formas mandar fazer as havaianas com a logo da escola, mas não deu tempo pra esse ano. Distribuímos as fitinhas do senhor do Bonfim, que já foi um sucesso. Foi uma das melhores festas até agora! Todo mundo colocou tanto esforço para representar bem o seu país. Estavam todos tão orgulhosos dos seus países, que foi bonito de ver. A cada estande que eu ia alguém me dizia "Vem provar essa comida/doce/bebida! É a(o) melhor do mundo!". As apresentações foram um capítulo a parte. A dedicação dos indianos e dos japoneses para coreografar e ensaiar a dança típica deles foi impressionante. Lindo! Lindo! Lindo!

Para assistir a um vídeo da festa, clique aqui.

sábado, 7 de março de 2009

Family in town!

Foi uma droga estar longe dos amigos no dia do meu niver
Foi uma droga estar fora do Brasil durante o Carnaval
E foi uma delícia ter papai e mamãe aqui comigo.

Na noite do meu aniversário, o Fabio fez uma festa na casa dele pra comemorar o nosso aniversário (ele também faz aniversário em fevereiro). Foi muito legal, tinha bastante gente lá, eu estava feliz, bêbada, mas não foi a mesma coisa. Primeiro porque organizar festas em Euros é uma coisa bem mais complicada. Segundo porque entre os 200 alunos e os oito meses que eu estou aqui, se eu tenho 5 amigos é muito. Então a motivação para dedicar o meu pouco e escasso tempo e dinheiro na festa foi zero. De qualquer forma eu me diverti bastante. Um momento muito engraçado na festa foi quando um alemão chegou com de um chapéu de cowboy rosa e uma roupa toda colorida, porque ele presumiu que uma festa de aniversário de dois brasileiros em fevereiro tem que ser festa de Carnaval, claro. Mas não era e eu fiquei super sem graça no meu vestido preto.

Eu nunca fui muito fã de pular Carnaval, ir em blocos, me espremer na muvuca, pular com a multidão. Mas eu gosto do burburinho. Do planejamento, das expectativas, da forma que os jornais, a TV e as pessoas ficam monotemáticas. Eu gosto de assistir as escolas de samba, decorar as músicas, sambar e fazer comentários como se eu fosse uma especialista em todos os critérios de avaliação de um desfile. Eu gosto de assistir a apuração, torcer pra minha Mangueira e ficar imaginando o quanto de calor aquelas pessoas que estão nas mesas e nas arquibancadas devem ficar sentindo. Gosto do batuque e do bum-eskibum-bum-bum que a gente escuta em todos os cantos da cidade. Acho que pra mim Carnaval entrou na categoria das coisas que fazem de mim brasileira e que por conseqüência me matam de saudades.

Meus pais chegaram um dia antes do meu aniversário e foram embora ontem. É indescritível ver meu pai sentado no meu sofá ou a minha mãe almoçando no refeitório que eu como todos os dias. Mostrar meu quarto, meu banheiro, levar eles no ônibus que eu pego todos os dias (pra eles entenderem a dureza), no mercado que eu faço compras, apresentar aos amigos foi maravilhoso. Eu cheia de orgulho de poder mostrá-los que estou sobrevivendo e eles cheios de orgulho de me ver vencendo. Agora os high lights da viagem dos meus pais a Europa:

- Meu pai tirou um dia inteiro e ficou aqui em casa concertando e aperfeiçoando tudo o que ele podia no nosso apartamento. O que foi ótimo e nós ficamos super felizes. Ganhamos um filtro de água que nos poupa dinheiro e viagens até ao mercado, já que a freqüência que vamos ao mercado é diretamente proporcional ao nosso consumo de água. E como não dá pra carregar 6 litros de água de uma só vez, água sempre foi um problema. A única coisa negativa da reforma do meu pai foi a quantidade de ferramentas que ele precisou comprar pra fazer todo o sirviço. Agora eu tenho um armário só pra maquina de furar, por exemplo.

- Meus pais amaram Barcelona e fizeram tudo aquilo que eles mais gostam. Minha mãe fez compras e foi pro Casino (Numa noite eles ganharam mil euros!!). Meu pai comeu muito e foi pra Marina ficar olhando os veleiros sempre que ele pode.

- Eu tenho uma lista de restaurantes que eu sempre quis ir, mas o meu orçamento não me permitia. Então assim que meus pais chegaram, eu tirei a lista da gaveta e começamos o tour gastronômico por Barcelona. O mais interessante de todos foi o Comerç24. Esse restaurante é do chef Carles Abellan, que trabalhou sete anos no El Bulli, restaurante do Ferran Adrià. Pra quem não sabe Ferran Adrià é um dos chefs mais famoso da Espanha e que difundiu a gastronomia molecular. O El Bulli é um dos restaurantes mais famosos do mundo e só fica aberto durante três meses. Com isso a lista de espera para conseguir uma reserva leva mais de 2 anos. Como eu não tenho tanta paciência, resolvi ir no genérico mesmo. Assim como Adrian, no Comerç24 os mini pratos (tapas) tem como objetivo estimular todos os nossos sentidos e não só o paladar. Com isso, as comidas têm texturas e cheiros muito diferentes do que estamos acostumados. Chegamos no restaurante e pedimos o menu degustação. Enquanto esperávamos pela comida, um misto de insegurança, expectativa, medo, curiosidade reinava na nossa mesa. A Bia é super convencional no quesito comida e entrar nessa aventura foi um grande passo pra ela. As entradas chegaram e a gente foi se acalmando porque não era nada tão excêntrico assim. Mas a cada prato que chegava a inovação aumentava. O momento alto do jantar foi quando o garçom trouxe uma tigelinha. A Bia ficou toda feliz “oba sopinha”! Mas quando a gente olhou pro prato, só tinham seis bolinhas coloridas dentro. Olhamos pro garçom como fazíamos sempre que um prato novo chegava e esperamos a explicação de como comer aquelas bolinhas. O garçom derramou algo tipo um caldo de galinha na tigelinha e nos recomendou colocar a bolinha toda dentro da boca. E assim fizemos. Cada bolinha tinha um sabor diferente: ovo, parmesão, trufa. E quando colocada na boca ela explodia dando uma sensação muito interessante. A comida não é maravilhosa, mas a experiência sim é muito interessante. É uma forma de arte até. Não é a toa que chamam o Ferran Adrià do Salvador Dali da culinária. Foi muito divertido!


- Para ver as fotos clique aqui.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

We’re back in business!

Até que o retorno não foi tão traumático como o esperado. Os dias de Brasil foram maravilhosos, revigorantes e reveladores, posso assim dizer. Foi bom pra fazer o balanço dos seis meses iniciais e perceber tudo que eu andei fazendo de errado e de certo por aqui. Com certeza me sinto agora mais fortalecida e preparada para o próximo term. Já cheguei em Barcelona com a “boa notícia” de que não precisaria me apresentar ao tal conselho da IEXE. Pelo menos por enquanto não. Recebi minhas notas e eu consegui não tirar os malditos 3 Cs. Mas ainda assim tenho que me esforçar ainda mais para ver se dessa vez eu não tiro nenhum C. Mas de qualquer forma a minha resolution #1 para o ano de 2009 é me divertir mais por aqui. Eu fiquei tão preocupada com notas e com a imagem que eu projetava pros meus amiguinhos de classe que eu passei maior parte do meu tempo super tensa e travada. Agora eu já estou mais à vontade, mais segura de mim e conseqüentemente mais feliz. Agora eu sinto que a minha personalidade está de volta, voltei a ser a Marcelle. Pois bem, menos um problema. Então resolution #2: resolver a encalhação.

Desde que chegamos aqui eu e Bia conversamos muito sobre o grande dia que iríamos provar dos chicos espanholes ou qualquer outro chico internacional que seja. Confesso que fomos bem inocentes no inicio. “Não vamos nos precipitar roomie. Vamos avaliar todos os rapazes e depois escolher o nosso foco.” Há há há. Avaliamos, escolhemos o foco, o foco cagou pra gente, escolhemos outro e entramos nesse ciclo vicioso que estamos hasta ahora. No início a gente se apaixonada todas as noites por alguém diferente. Voltando da night era sempre o mesmo papo “Roomie, encontrei o amor.” E realmente de homem bonito e interessante a IEXE, principalmente, está recheada. Toda vez que tem o poker da IEXE, eu carrego a Bia comigo e toda vez ela conhece alguém novo. No poker da semana passada, eu a apresentei a certo rapaz uruguaio e foi só eu olhar pra cara dela que eu já tinha entendido tudo “Nooooooossa Senhooora!!”. Pelo menos eu ganhei 70 euros nesse dia...

A pergunta é: o que estamos fazendo de errado? A Carol tem um ponto quando ela diz que o fato d’eu não usar nem óculos e nem lentes à noite, atrapalha a minha vida sexual. Realmente se estiver alguém me dando mole em uma distancia maior do que dois metros, eu nunca vou reparar, na verdade eu nunca nem vou ver. Por isso, resolution #3 comprar lentes de contato. Check! Outra razão deve ter a ver com um toque que o Naresh me deu e o portuga amigo da Bia deu pra ela também. Claro que a gente não se emperequeta toda pra ir pra faculdade, a gente vai arrumadinha normal. Bom pelo menos era o que a gente pensava. Um dia o Naresh diz pra mim “sabe o que eu acho legal em você? É que você nem se importa pra como você se veste na faculdade, só quando você sai à noite que você se arruma!” (Como assim eu nem me importo???) “Ahh obrigada Naresh”. O portuga mandou pra Bia um dia na night também “Nossa você está tão diferente. De maquiagem, brinco, bota...” e começou uma lista sem fim das coisas que a Bia não usa na faculdade. Pior do que esses comentários, só o comentário do Curu pra Bia no Réveillon “Nossa você rejuveneceu!” Ahhhh faça-me o favor, isso é papo pra tia!! Por essas e outras, resolution #4: ser mais vaidosa em 2009!

A verdade é que eu e Bia temos um pouco de consciência dos nossos erros e vou contar uns causos aqui que vocês logo logo vão entender:

Tem esse menino americano que está totalmente fora do meu padrão físico de qualidade, mas é um simpático e meu coração bate mais forte por ele. Não sei bem se o meu coração bate mais forte por ele porque eu acho que ele tem algum interesse em mim, ou se eu acho que ele tem algum interesse em mim porque o meu coração bate mais forte por ele. Any how, dia desses estávamos todos na night, eu decidida a dar mole para o rapaz em questão. Papo vai, riso pra lá, cabelo pra cá, papo vem, o rapaz começa a falar umas coisas no meu ouvido. A essa altura eu, um “pouquinho” embriagada e o hip hop bombante nas alturas, já não estava entendendo nada do que ele estava falando, mas o sorriso estava estampado no rosto, aprovando tudo e qualquer coisa que ele dissesse. Pois bem, no meio de um monte de palavras eu escuto “well let’s just go then!” Pra meio entendedor meia palavra basta e eu respondi “ok!” (facinha, facinha, valendo nada). Ele começa andar na direção da saída da boate e eu atrás, toda orgulhosa de mim. Passo pela Bia e olho pra ela com o sorriso da vitória “Scoooore”! No caminho, eu, num misto de nervosismo e felicidade, começo a pensar nas coisas que deveriam estar ok para aquela tão esperada noite e que não estavam. “Cacete eu tenho que encontrar uma depiladora brasileira uurgente!!” Chegamos na porta da boate, ele na minha frente vai em direção a uma mulher e a cumprimenta. Eu chego 5 segundos depois e sou apresentada a mesma. “Amiguinha de classe, chegou hoje em Barcelona, vai estudar com a gente. Oi prazer meu nome é Marcelle. Oi, obrigada por terem vindo me buscar na porta, eu estava um pouco perdida.” Foooon Foooon Foooon Foooon. Muito triste.

Tem esse outro menino alemão que esse sim passa por todos os critérios de qualidade. O que é uma coisa increíble dado que ele é alemão. O fato é que ele é tão incrível que eu jamais nem cogitei a possibilidade. Bom em um dos mil eventos da IESE eu tive certeza que das duas uma: ou ele estava sendo extremamente simpático comigo ou ele estava me dando mole. É sempre difícil avaliar já que são tantas nacionalidades e costumes diferentes, mas um alemão sendo simpático aí tem. Essa noite eu acabei bebendo mais do que devia e a Bia teve que me carregar pra casa antes que eu tirasse a prova das reais intenções do rapaz. Dia seguinte, trabalho de grupo na casa de um amigo. Chego lá e adivinha quem é o flatmate dele? O meu alemão! O simpático me chama pra fazer um tour pela casa, vai me mostrando cômodo por cômodo, até que chegamos no quarto dele. Na parede, um pôster: A foto da namorada linda maravilhosa loira e alemã. Triste, eu sei, mas a história não acaba por aí. Janeiro de 2009, ano novo, Marcelle nova. Vou pra uma boate com a galera e encontro ele lá, meio que chegando em várias mulheres. Opa! Das duas uma: ou ele terminou ou ele chifra a namorada! As duas funcionam pra mim e fui puxar um papo. Papo vai, riso pra lá, cabelo pra cá, papo vem, ele me conta que ama o Tribalistas, que é a única banda brasileira que ele conhece, bla bla bla, eu prometo gravar um cd da Marisa Monte pra ele. No dia seguinte, domingo, compro um cd virgem, passo algum tempo selecionando músicas intencionalmente sensuais, ou seja, me dedico. Segunda-feira, eu vou toda animadinha e entrego o cd pra ele. O seguinte diálogo se estabelece:

Eu: “Então, gravei esse cd pra você!”
Ele: “(?)”
Eu: “O cd da Marisa Monte. Aquela que canta nos Tribalistas....”
Ele: “Ahhhh... Nossa...Obrigada..(?)....”
(silêncio sem graça)
Ele: “Vou ouvir esse final de semana com a minha namorada.”
(E o meu sorriso colgate virou sorriso sol na cara)

Sem necessidade de ser tão cruel, concorda? Alemães são todos uns grosseiros. Resolution #5: nunca mais acreditar nas minhas opções quando eu digo “das duas uma”.



PS: A nerd da minha roomie passou em todas as matérias com louvor! Palmas para ela! Ahhh!! E cruzem os dedinhos que essa semana faremos entrevista para a Johnson & Johnson!

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Da série: Coisas Engraçadas

Dia desses num frio desgraçado a Bia estava no ponto esperando o onibus passar. O ponto de ônibus perto da EXADE fica do outro lado da rua na direção oposta a direção que um carro deveria ir caso estivesse indo pra nossa casa. Muito bem, depois de 30 minutos no ponto, a Bia desiste e faz sinal pro primeiro taxi que passa. Ela entra no taxi e diz para o motorista o endereço. O motorista diz "mas essa rua fica pro outro lado." A Bia diz que sabe disso e fica com uma cara de interrogação do tipo "qual o problema? basta dar a volta". E o motorista durante todo o trajeto fica dando esporro na Bia dizendo que é um absurdo ela pegar um taxi do lado errado da rua, porque ele não queria ir para aquela direção, mas agora ele foi obrigado, blá blá blá. A Bia quase chorando já, tamanho era o esporro, pede pra sair do taxi, pedindo milhões de desculpas e o taxista com o humor típico catalão diz que não, que agora ela tinha que ficar ali e escutar!

Hoje foi a final do campeonato de futebol da IEXE. A minha turma estava na final e nós estávamos lá pra apoiar. Mais uma vez passei uma vergonha por ser essa brasileira paraguaia que sou. Os amigos ficavam pedindo músicas típicas dos estádios brasileiros e eu que sou frequentadora assídua de Maracanã só consegui lembrar do "ai, ai ai ai, aiaiaiaiaiaiai, em cima, em baixo, puxa e vai" que deve ter sido da Copa de que? 94? Pra piorar os amiguinhos asiáticos não conseguem pronunciar o aiaiaiai por algum problema fonoaudiólogo qualquer e eu me vi ligando pra Bia, que devia estar no meio de um trabalho de grupo, pra pedir músicas da torcida do Flamengo pra ver se eu conseguia reverter a situação. Bom, nosso time perdeu e eu não sou mais uma líder de torcida.

Eu e Bia estamos na última semana frenética fazendo as tarefas diárias do mba, estudando para as provas, comprando presente de Natal, comprando cirolas cada vez mais grossas e tá uma correria tão grande que as tarefas domésticas tem ficado um pouco de lado. A situação ainda fica muito pior se você lembrar que a nossa empregada Lenira está de férias no Brasil. Por exemplo, se o Paulinho não vem aqui nos visitar, o lixo na área de serviço vai crescendo, crescendo e agora tá tão grande e pesado que nenhuma das duas consegue descer com ele. (O Paulinho disse que quando tiver uma folga ele vem aqui nos ajudar. Ainda bem que estão todos bem fechados e não fedem).

Dia desses acabou a folha da impressora. Isso gerou um pequeno transtorno, mas a gente foi se virando com as folhas de rascunho. Fomos reaproveitando os lados dos papeis, que por um lado foi até uma atitude super ecológica. Mas aí as folhas de rascunho acabaram, um mês se passou e nenhuma das duas comprou papel. Um dia eu tive que acordar mais cedo pra imprimir um trabalho e nem assim eu tive vergonha na cara de comprar mais papel. E o mesmo aconteceu com a Bia várias vezes. Pois bem, ontem chego em casa toda animadinha com uma idéia maravilhosa que eu tive para solucionar o problema da falta de papel e vejo a impressora cheia papel. Aparece a Bia e diz "roomie, roubei papel da faculdade..." e eu mostro um blocão de papel e digo "Eu também!". Brasileiras pobres e malandronas.

As aulas acabaram e faltam 7 dias pra gente chegar!!! \o/

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Low Capacity

Queridos leitores, desculpem a demora para atualizar o blog, mas o bicho está pegando aqui. As provas começaram, acabaram, começaram de novo e eu não paro de estudar. Não tenho muitas novidades que não sejam em torno do assunto provas (boooring), mas eu vou tentar me lembrar de todas as coisas que aconteceram (ou não) nesse mês:

* Nossa rotina é sempre a mesma: acordo, vou pra escola, volto da escola, tomo banho, Bia chega com o pão quentinho, colocamos o papo em dia enquanto comemos o pão com manteiga, volto a estudar, a Bia faz a sopa dela, jantamos, conversamos mais, estudamos mais e vamos dormir.

* O diferente desse mês é o frio bizarro que está fazendo (essa semana choveu granizo!). Com esse tempo, a minha volta pra casa de bicicleta foi cancelada e a espera no ponto pelo ônibus se tornou ainda mais penosa.

* Outra diferença também é a nossa casa que está mais suja que o normal porque a nossa empregada Lenira teve que voltar para o Brasil às pressas pra visitar a mãe doente.

* Esse mês eu tive uma alergia muito doida que deixava os meus olhos vermelhos e inchados como se eu tivesse levado um soco. Fui duas vezes à dermatologista e ninguém descobriu o que era. Pensando nas coisas que poderiam estar me dando alergia, cheguei a duas possibilidades. Mudei as duas e a alergia passou. Ou seja, ou os cachecóis de tecido duvidoso que eu comprei (que eram super baratos, claaaro) estavam me dando alergia ou mudar a roupa de cama apenas uma vez por mês não faz bem a saúde (Mas sinceramente, quem tem paciência de mudar a roupa de cama? Pó tem que lavar também, mô saco. Hehehe)

* Eu fui mal em todas as provas, já consegui tirar três Cs, o que significa que se eu não recuperar as notas nas provas finais, terei um encontro com o conselho da IEXE onde eles decidirão se eu mereço continuar na escola ou não. Se a resposta for sim, eles vão me dar outra prova para eu tentar me recuperar. Ou seja, muito fudida.

* Tivemos uma festa de Thanksgiving na IESE com todos os alunos e funcionários. Todo ano nessa festa os alunos oferecem coisas para serem leiloadas durante a noite e todo dinheiro é doado para uma instituição de caridade. Por exemplo, eu e mais 7 meninas nos leiloamos! O menino que nos comprasse teria direito a um jantar feito pela gente na casa dele. Fomos vendidas por 600 euros!! Bom, eu sei que o jantar rolou a noite toda, eu bebi várias garrafas de vinho e quando me dei conta eu tinha comprado dois ingressos pra um jogo do Barcelona por 400 euros!! Do tipo “quando bebo fico rica”, sabe?

* Eu e Bia fomos na feira náutica aqui de Barcelona. Morremos de saudade do nosso querido Horus e morremos de inveja daqueles barcos enormes. Fotos:
http://picasaweb.google.com.br/Marcelle.Iglesias/SalonNautico#

* A nossa casa continua funcionando em low capacity (comentário nerd-engraçadinho).

* Morro de saudades dos meus amigos, mas tenho que confessar que certos momentos com a distância são impagáveis. Receber um email do meio da aula de Accounting com o título “aeeee, beijei na boca!!” ou com a frase “você acredita que o Camelo está comendo a Malu Magalhães?” fazem os meus dias mais felizes.

* E como eu e Bia estamos contando os dias pra voltar pra casa (20 dias), deixo aqui o videozinho que fizemos para lembrar a todos que a nossa volta é dia 19 de dezembro:
http://elfyourself.jibjab.com/view/uu3lcAhiHcry8kGO

sábado, 1 de novembro de 2008

Festa de Halloween

Mais fotos, clique aqui.